Sabedoria. Cultura. Conhecimento.
Ouvir. Aprender. Reaprender"
((Ouvir (atenção); aprender (dar importância) reaprender (reconhecer o que não atingiu))
Mt.5.17-48
Ouvir, aprender e reaprender
Reaprender, é quando a essência, do que foi transmitido e ensinado não foi entendido, pelo que, não foi bem observado.
Limitações ou impedimentos, o meu entendimento ou a minha opinião pessoal sobre um assunto ou tema, sem procurar esclarecer, ou discuti-lo...
qIntrodução:
Israel, cerca de 400 anos no “berço” do Egito, cresceu muito em número, de tal forma, que se fez um grande povo, e de tal maneira, que o povo que os acolhera, disse: “Eis que o povo dos filhos de Israel, é muito e mais poderosos do que nós” (Gn.15.13; Êx.1.9).
Eram um grande povo, ainda sem terra; dela tinham a promessa do Senhor, a terra das peregrinações de Abraão (Gn.12.1-3; 13.14-18).
O Senhor, é Fiel, não se esquece das suas promessas; desceu, para libertar o povo e o conduzir à terra da promessa (Êx.3.6-8).
Chegou a libertação, o grande povo, iniciava o percurso para possuirem a terra e serem uma nação (Êx.12.12.1-51)
Preparativos, para formar um povo, uma nação, um reino. Instituir uma constituição com sistemas legislativos, que os regessem, com direitos e deveres espirituais (religiosos), e físicos (sociais e politicos), para viverem no temor de Deus, e na relação social com o próximo.
O Senhor deu a Lei, a Moisés, resumida nos 10 mandamentos. A primeira parte de caráter espiritual, relação vertical com Deus, e a segunda parte, a física (social), na relação horizontal com próximo (Êx.20.1-11 e 12-17).
Moisés, escreveu as palavras, que O Senhor falara no Livro, do Concerto; Leu-o aos ouvidos do povo, para os ensinar. Eles assumiram obediência total.
E Moisés selou o Concerto com sangue sobre o altar, e assim foi instituído o primeiro Concerto, o Antigo Testamento, +/- no ano 1500 a. C. (Êx.24.1-18).
Do Sinai (1500 a. C.) a Jesus, O Cristo (30 A.D.):
Moisés intima o povo à fidelidade: Amarás O Senhor Teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e com todas as tuas forças, e estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração, e as intimarás a teus filhos, delas falarás assentado em tua casa, a andar pelo caminho, ao deitar, ao levan-tar, e as atarás por sinal na tua mão, e por testeira entre os teus olhos, e as escreverás nos umbrais da tua casa e nas tuas portas (Dt.6.5-9).
As responsabilidades deste ensino:
Competia aos pais de cada família, falar sem cessar, de toda a palavra do Senhor, e criar métodos, para que estivesse sempre presente em qualquer situação da vida familiar e social (Dt.6.5-9).
Dos sacerdotes
e anciãos:
A responsabilidade de ensino geral, competia aos sacerdotes, e anciãos, que de 7 em 7 anos, no ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos, quando Israel, ia comparecer perante O Senhor seu Deus, no lugar escolhido: Lerás esta Lei diante de todo Israel (Dt.31.9-13).
O efeito que teve no povo:
Foram +/- 1500 anos; o ensino, da Lei devia ter sido feito em família, e no povo em geral. A história e as narrativas do A.T., mostram o défice paupérrimo, da cultura da Lei no coração do povo.
Problemas:
A palavra do Senhor, deixou de estar nos seus corações e nas suas bocas, e no ensino familiar foi-se extinguindo.
Os sacerdotes e anciãos, as muitas mudanças, religiosas, sociais e politicas, foram deixando de obede-cer à ordem de Moisés, para ler, a Lei em cada 7 anos ao povo, perante O Senhor.
O povo, vivia como que numa balança, entre a fidelidade e a infidelidade, quando O Senhor os abençoava, andavam nos seus caminhos; mas logo se esqueciam. Pervetiam-se, rebelavam-se contra O Senhor, e os servos que lhes enviava, e a palavra do Senhor, foi substituída pelos costumes, tradições e formas de legalismo, conforme lhes agradava.
A chegada de Jesus e o efeito na Lei:
A revelação de
Deus, a situação social/religiosa:
A Palavra de Deus não se fez ouvir, durante +/- 400 anos, ela foi retomada para anunciar os nas- cimentos de João Batista (a voz do que clama no deserto), e de Jesus (O Messías / Cristo) (Lc.1.5-20, 26-37).
A situação política e social, desde o ano 586 a. C., Israel, foi sempre sujeita a uma panóplia de nações; no tempo de Jesus, o domínio político era romano, mas o cultural era grego, a língua hebraica, perdeu o lugar para o aramaico, e o grego Koiné, no qual foi escrito o Novo Testamento..
A situação religiosa, estava adulterada, os lugares de culto paralelo, sinagogas e templo, perverteram o espírito do adorador. O sumo sacerdócio, já não estava sujeito à família de Aarão.
Zadoque, foi o último sumo sacerdote da linhagem de Aarão a oficiar no templo. A ascenção dos Asmoneus, e a corrupção na classe sacerdotal, profanou o templo, afastaram Zadoque, e nomearam um sumo sacerdote ilegitemo em 167 a. C., deixaram de celebrar os rituais. “Estes foram considerados os “violadores do Concerto” (Dn.11.32
Mais tarde Herodes, o grande; fomenta a “simonia”, isto é, vendia o cargo do sumo sacerdote.
No Tempo de Jesus, o sumo sacerdócio era ocupado por Anás e Caifás, que eram da seita dos saduceus (At.5.17). Segundo Josefo: 1º Anás exerceu de 6 a 15; e Caifás de 18 a 36 A.D. ambos foram nomeados e depostos pelo poder romano.
As consequências:
Todas estas situações, contribuiram para a decadência da observação da Lei, em detrimento do legalis-mo e da observação das tradições, que foram incrementadas durante anos.
Jesus versus a Lei e tradições:
Era este o estado, religioso, social e político, que Jesus encontrou, na sua vinda; Jesus, vinha operar mudanças, em especial no caráter religioso e social (Mc.7.1-16): Os anciãos, acusaram os discípulos transgredirem a tradição ao comerem pão sem lavarem as mãos. Jesus, respondeu: Por que transgredis vós os mandamentos de Deus? Hipócritas, bem profetizou Isaías: Este povo honra-me com os lábios mas o seu coração está longe de mim...em vão me honram ensinando mandamentos (preceitos) de homens. Invalidais a Palavra de Deus pela tradição que vós ordenastes (vêr v.10-12).
Mudanças com base no amor:
Pela Lei nenhuma carne se salvaria, visto que Pela Lei ninguèm pode ser justificado, porque pela Lei vem o conhecimento do pecado (Rm.3.20).
A autoridade de Jesus sobre a Lei: Mt.5.17,18
Jesus, apresenta-se para cumprir toda a Lei: Não vim destruir a Lei nem os profetas, não vim abolir, mas cumprir; até que o céu e a terra passem, nem um jota, nem um til se omitirá da lei, até que tudo se cumpra.
Jesus,
apresenta a lei na sua essência: Mt.5.21-43)
Se Israel tivesse entendido a essência da Lei, e não tivesse procurado refúgio nas tradições, não teria sofrido, como sofreu, e a relação com o próximo estreitaria os laços com Deus.
Reparemos; que Jesus, só faz referência aos mandamentos de caráter horizontal, pois sem os cumprir, não se cumprem os mandamentos em relação a Deus., em especial o 1º e grande mandamento: Amarás O Senhor Teu Deus de todo o teu coração...(Mt.22.37).
Jesus, apela para a essência da Lei:Cinco vezes usa o predicado de ouvir (gr αkoυω) no pret. perf. Ouvistes (gr ηkoυσαί aor; significa: Sempre ouviram; tempo indeterminado.). O que foi dito aos antigos (αρχαίoις): Apela a recuar aos mais remotos tempos sobre o foi dito e ensinado, na Lei, nos Salmos, e nos profetas.
Ouvistes...Não matarás: Implica respeito pela vida, que Deus deu, e que fez do homem “alma vivente”v.21-26.
A essência do mandamento, reflete-se na condenação de 3 pressupostes que podem levar ao ato. v.22
Aquele que se
encoleriza (oργίζoμενoς) contra contra seu irmão, é reu...v.22
Aquele que que disser do seu irmão “tolo” (ραkα), significa desprezo pela cabeça do homem, será sujeito ao sinédrio
Aquele que lhe chamar “louco” “tolo” (μoρέ/μυρoς), significa desprezo pelo coração e caráter do homem; estará sujeito ao fogo (inferno), a referência, é (γέενναν); vale de geena ou Himom, e seu significado.
Atitudes a tomar para evitar a situação: v.23-26
Apelar à
memória de ter procedido mal com o irmão...v.23
Consciente de
ter procedido mal, procurar reconciliação...v.24
Chegar a acordo para evitar de levar o assunto a juízo (tribunal)...v.25
Ouvistes...Não adulterarás:
Implica o respeito para com o próximo, e cuidado com a concupiscência dos olhos. v.27-32.
A essência do mandamento, expressa, que a intenção supera o ato. Qualquer que olhar...com desejo (επίΘυμησαι) em seu coração, adulterou...v.27,28
Atitudes a tomar para
evitar a situação: v.29-32
Implicam ações drásticas, que certamente ninguém quer tomar, mas soa como uma advertência para que não aconteça uma condenação.
Se o teu olho (a concupiscência)
te faz tropeçar...v.29
Se a tua mão direita te faz
tropeçar...v.30
Se repudiar a mulher dê-lhe carta de divórcio...31-32 (απoστασίoν), com motivo justificado...
Ouvistes...não perjurarás (jurar falso), expressa a essência do mandamento que exige cumprimento dos deveres como sendo com O Senhor. v.33-37
Atitudes a tomar para evitar a situação: v.34-37
Não jurar: Pelo céu, por ser o
trono de Deus...
...pela terra, pois é o
escabelo (υπoπoδίoν) dos pés do Senhor...v.3ªa
...por Jerusalém, por
ser a cidade do Grande Rei...v.35b
...pela tua
cabeça...não podes tornar um cabelo branco ou preto...v.36
Ser integro: Seja a tua palavra;
Sim, sim, não, não...o resto é maligno...v.37
Ouvistes...Olho por olho, dente por dente; artigo da lei sobre a violência social (Êx.21.12sss(24)) v.38-42 – limitava o castigo a pena correpondente à infligida sobre o próximo...não consta no decálogo.
Atitudes a tomar para evitar a situação: v.34-37
...não resistir ao
ímpio (πoνηρω), mal-intencionado/malfeitor...v.39a
...ao que ferir um lado
da face, dá-lhe a outra...v.39b
...ao que te tirar a
túnica, dá-lhe também a capa...v.40
...o que obrigar a
andar uma milha, vai com ele duas...v.41
...não vires as costas
ao que te pede emprestado...v.42
Ouvistes...Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo...v.43-47
Amar ao próximo, não constava no decálogo, mas os mandamentos da relação entre os homens, im- plicava ao amar o próximo.
A primeira referência a este mandamento, acontece em Lv.19.11-34, sobre as diversas leis sociais. v.18: Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu Sou O Senhor.
Este amor não era circunscrito ao povo de Israel, também abrangia os estrangeiros, que viviam no seu meio (Dt.10.18-19).
Odiar o/s inimigo/s, não era uma ordenança da Lei, mas era recomendado e assumido por alguns textos, como: Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem?...Aborreço-os com ódio consumado, para mim são de fato inimigos...Sl.139.21,22; 26.5; 101.3; 119.13 etc...
O mandamento do amor ao próximo, representa o climax, da série de preceitos, que tinham como propósito, promover, a honestidade, solidariedade e a justiça entre a comunidade.
Atitudes a tomar para evitar a situação: v.44-47
...amai os vossos inimigos e
orai pelos que vos perseguem...v.44
Esta será a cofirmação do novo nascimento, como filhos de Deus, que não faz acepção de pessoas...v.45 cp Tg.2.1-4
...não amar somente os que nos amam, nem saudaram somente os irmãos, pois, publicanos e gentios também o fazem...v.46,47
O imperativo como resumo de todo o ensino...v.48
Sede vós perfeitos, como é
perfeito (gr. τέλειoς) o vosso Pai celeste...v.48
Foi um extenso ensino, que expressou a maior essência dos mandamentos, não compreendidos na sua essência, e plenitude, pois, eles já proclamavam o ensino, que O Senhor Jesus expôs.
A exortação, exigência dos observadores serem perfeitos, a palavra no (gr), significa; "tendo chegado ao fim; ter completado o propósito, ser completo, perfeito", é a condição que deve ter todo o que é filho de Deus.
Era esta a condição do Filho de Deus, Jesus, O Cristo. Homem perfeito e cumpridor de toda a Lei, dos Salmos e dos profetas.







